História

Heptacampeão francês, penta da Copa da França e duas vezes finalista de competições continentais, o Monaco tem uma das histórias mais ricas e vitoriosas do futebol gaulês. Com sede no famoso principado situado sobre um afloramento rochoso entre a França e a Itália, o clube disputa o Campeonato Francês desde a sua fundação. Apesar de uma média de público baixa, a equipe costuma atrair jogadores de renome mundial para defenderem as suas cores. Por outro lado, a doce vida na Riviera Francesa e a fraca pressão sobre os jogadores muitas vezes estão por trás de resultados que não condizem com a qualidade do elenco.

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Arsene Wenger erguendo o título da Copa da Liga em 1991, francês é um dos maiores técnicos da história do Monaco.

O nascimento de uma instituição
A Association Sportive de Monaco Football foi fundada oficialmente no dia 1º de agosto de 1919 com a fusão de cinco sociedades esportivas da França e do principado, entre elas o emblemático Monaco Sport, conhecido anteriormente como Herculis. Essa entidade foi absorvida em 23 de agosto de 1924 pela sociedade poliesportiva Association Sportive de Monaco, passando a representar o departamento de futebol do grande clube monegasco.

Na temporada 1924/25, o time disputou a sua primeira partida na extinta Liga do Sudeste, mas só chegou ao nível profissional em 1948. Graças ao apoio incondicional da família real, sobretudo no aspecto financeiro, o Monaco sempre conseguiu seduzir alguns grandes astros do futebol mundial, que ajudaram a ilustrar a galeria do clube.

O surgimento de um mito 
O Monaco precisou esperar até 23 de agosto de 1953 para estrear na primeira divisão contra o Toulouse. Durante os seis primeiros anos na elite, a equipe chegou a figurar entre os primeiros colocados, mas foi em 1958 que o clube ganhou uma nova dimensão com a chegada do técnico Lucien Leduc. Em 1960, sob o comando do treinador, o time conquistou o seu primeiro título ao derrotar o Saint-Étienne por 4 a 2 na final da Copa da França.

Na temporada seguinte, o Monaco lançou a sua mítica camisa em diagonal vermelha e branca, uma ideia da princesa Grace Kelly que não poderia ter trazido mais sorte ao clube: no mesmo ano, a equipe conquistou o seu primeiro título francês. Em seguida, no exercício 1962/63, realizou a campanha mais espetacular da sua história ao vencer as duas competições nacionais da França, a copa e a liga, com um elenco repleto de grandes jogadores como Marcel Artelesa, Henri Biancheri, Lucien Cossou, Yvon Douis e Michel Hidalgo.

O excelente desempenho, no entanto, jamais voltou a se repetir e, ao longo dos anos, o Monaco foi perdendo força e ambição, chegando inclusive a ser rebaixado em 1969. Durante algumas temporadas, o clube oscilou entre a primeira e a segunda divisão até sofrer uma reestruturação administrativa que resultou no retorno de Lucien Leduc, na chegada do jovem presidente Jean-Louis Campora, figura marcante na história do clube, na contratação de Gérard Banide, responsável pelo centro de formação e depois treinador, e no acerto com o argentino Delio Onnis, que viria a marcar 223 gols com a camisa monegasca.

A recuperação do Monaco culminou enfim na conquista do título francês de 1978, ano em que o clube havia voltado para a primeira divisão. Em 1980, foi a vez de ganhar a Copa da França. A ressurreição da equipe contou ainda com grande participação de Rolland Courbis, Christian Dalger e do goleiro Jean-Luc Ettori, que fez 602 jogos pelo time.

O Monaco continuou a amadurecer e a mostrar a sua força no cenário nacional ao longo da década de 1980, erguendo mais dois troféus da liga e um da copa. O surgimento de Manuel Amoros, formado nas categorias de base do clube, e a chegada do técnico Arsène Wenger, que entre 1987 e 1994 montou uma equipe sólida no futebol francês, permitiram que o Monaco expandisse o seu prestígio para o continente. O time chegou à final da Recopa Europeia em 1992, mas acabou perdendo para o Werder Bremen, assim como na semifinal da Liga dos Campeões de 1994 diante do Milan.

Em 1996, Jean Tigana assumiu o comando da equipe e levou um grupo formado por jogadores como Fabien Barthez, Emmanuel Petit, Ali Benarbia, Thierry Henry e o brasileiro Sonny Anderson ao sexto título francês da história do clube e à semifinal da Copa da UEFA, na qual perdeu para a Inter de Milão. Em 2000, já sob a batuta de Claude Puel, o Monaco faturou o heptacampeonato da Ligue 1 reforçado pelas contratações de Rafael Márquez, Sabri Lamouchi, Marcelo Gallardo, David Trezeguet e Marco Simone.

Após a saída de vários nomes importantes, o clube foi obrigado a reformular o elenco, desta vez com Didier Deschamps na direção. Jérôme Rothen, Sébastien Squillaci, Patrice Evra e Fernando Morientes formaram a nova e fantástica espinha dorsal da equipe, que, em 2004, perdeu a final da Liga dos Campeões da UEFA para o Porto após ter eliminado, entre outros, Real Madrid e Chelsea.

O momento atual
Desde a saída de Didier Deschamps, em 19 de setembro de 2005, o Monaco tem buscado estabilidade em todos os âmbitos, da administração ao elenco, passando pela direção técnica. O técnico italiano Francesco Guidolin trabalhou durante uma temporada antes de ceder o cargo ao romeno Laszlo Bölöni, que, por sua vez, foi substituído por Laurent Banide, homem de confiança responsável pelas divisões de base do clube.

Em seguida, o brasileiro Ricardo Gomes comandou o time de 2007 a 2009, mas, diante do incessante ir e vir de jogadores, não conseguiu recolocar o Monaco no caminho dos títulos. Para completar a fase ruim, no final da temporada 2010/11, o clube voltou a ser rebaixado para a segunda divisão após 34 anos de firme presença na elite do futebol francês.

O estádio
Construído no início da década de 1980 no coração do principado e inaugurado em 25 de janeiro de 1985, o Estádio Louis II faz parte de um complexo de 30 mil metros quadrados que conta com ainda um centro náutico e um ginásio poliesportivo. Com capacidade para 18.523 espectadores sentados, o estádio situa-se 8,35 metros acima do nível da rua e tem uma concepção singular, em que o gramado se encontra sobre o teto do estacionamento de quatro pisos e 1.700 vagas.

O centro de formação do Monaco, onde são preparados os futuros astros da equipe, também está integrado ao complexo e dispõe de quartos individuais, um restaurante e instalações anexas. O Estádio Louis II, que é rodeado de diversos edifícios da cidade, recebe a Supercopa da Europa todos os anos desde 1998.